sexta-feira, 1 de abril de 2011

Comparativo: Yamaha XJ6F e Kawasaki Ninja 650R

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Que o mercado das 600 cc ou pouco mais está cada vez mais atrativo e forte, inclusive, em terras tupiniquins, disso não há dúvida. As esportivas e as estradeiras estão entre as mais procuradas, não deixando muito para trás as big-trails, também. Tudo é uma questão de gosto.
Bom, aqui, vamos conhecer algumas diferenças e igualdades entre duas vedetes da categoria esportiva: a Yamaha XJ6F e a Kawa Ninja 650R. Duas grandes motocicletas que estão conquistando os corações mais agitados.
A Yamaha lançou sua XJ6F ainda em 2010, enquanto que a Ninja 650R é ainda uma novidade, pode-se dizer, neste início de 2011. A principal diferença entre as duas, mesmo que com alguns pontos no visual, está na arquitetura de seus motores. Vejamos:
A Yamaha apostou em um motor de quatro cilindros em linha, enquanto que a Kawasaki equipou a Ninja 650R com um bicilíndrico paralelo. Isso faz com que os roncos dos motores sejam diferentes, sendo mias agudo na XJ6F e mais grave na Ninja, bem como o comportamento das duas. Contudo, os números de desempenho (fornecidos pelas fábricas) as colocam mais próximas.



O motor da Ninja 650R é bicilíndrico, com comando duplo no cabeçote, refrigeração líquida e 649 cm³ de capacidade. Oferece potência máxima de 72,1 cavalos a 8.500 rpm e 6,7 kgfm de torque máximo a 7.000 rpm. Já o motor quatro-cilindros da Yamaha XJ6F, que também conta com duplo comando no cabeçote (DOHC), 16 válvulas e arrefecimento líquido, produz pouco acima de 5 cavalos a mais em giros altos - 77,5 hp -, característico dos motores com esta construção. Possui torque máximo de 6,1 kgfm, a 8.500 giros, é menor que o da Ninja e em uma rotação mais alta.
Apesar dos valores bastante próximos, a potência e o torque dos motores demonstram a personalidade diferente dos propulsores. Enquanto a Ninja privilegia o torque e a potência em baixas, a XJ6F traz bastante emoção em altos giros. Isso não quer dizer que o bicilíndrico da Kawasaki não “gire” bastante - o limite de giros está na casa das 11.000 rotações por minuto. Isso quer dizer, na verdade, que o propulsor fica mais à vontade entre 2.000 e 9.000 rpm. Assim, permite trocas menos constantes no câmbio de seis marchas, privilegiandoas tocadas domésticas. O motor da XJ6F, por outro lado, também demonstra fôlego para se pilotar na cidade. A diferença é que ele pede mais rotações - menos que as motos superesportivas, contudo, mais que a Ninja 650R. Na prática, isso significa uma tocada um pouco mais esportiva, com o motor trabalhando acima de 6.000 rotações.


 Ciclística
Em se tratando de ciclística, ambas contam com um chassi tubular em aço, peças de construção simples, mas que proporcionam a estabilidade esperada para o desempenho das duas motocicletas. Não são rígidos como em motos superesportivas, com especificações mais top de linha, mas estão de acordo com a proposta de seus fabricantes, ou seja, modelos fáceis de pilotar.
A boa distribuição de peso nessas motos ajuda bastante a torná-las motos "fáceis". Utilizam-se da mesma solução para baixar o centro de gravidade, ou seja, um escapamento localizado no centro da moto, escondido sob o motor.
As suspensões são convencionais e rígidas em ambas: na dianteira, garfo telescópico sem ajustes e balança traseira monoamortecida. A diferença está no ponto de fixação: a Yamaha tem sistema monocross com amortecedor fixado no centro da balança, enquanto a Kawasaki optou por uma solução menos comum com o amortecedor fixado lateralmente, detalhe este que não influencia no funcionamento do conjunto.
O acerto das suspensões nos dois modelos privilegia mais o conforto do que a esportividade. Apesar de não poderem ser comparadas às superesportivas, absorvem as imperfeições do piso e garantem curvas divertidas.
Nos dois modelos, os freios foram dimensionados de acordo com a proposta de uso e seus respectivos desempenhos. A XJ6F tem disco duplo de 298 mm com pinça de dois pistões, na dianteira; e,  na traseira, disco único de 245 mm com pistão simples. A Ninja tem configuração semelhante, mas a forma e os diâmetros dos discos diferem: 300 mm na frente e 220 mm atrás, no formato margarida. Na prática, o funcionamento é comum: não assustam e param as motos com eficiência. Ainda assim, a Kawasaki fica com a vantagem de oferecer a opção do sistema com ABS.

 

Os projetos
Qualquer um desses modelos tem projetos novos e segue o que está se tornando uma tendência no mercado atual: fáceis de pilotar, utilizáveis no dia-a-dia e com boa disposição para viagens. No desenho, seguem linhas diferentes, porém contemporâneas em ambas. A Yamaha tem um conjunto óptico único, traços angulosos e porte de moto maior, completada por uma traseira minimalista. A Kawasaki trouxe para esta recente versão da 650R as linhas da família Ninja, com dois faróis na dianteira e a traseira também reduzida ao essencial. A escolha no quesito beleza fica para o gosto pessoal. A X6F vem somente na cor preta, e não se sabe se a Yamaha pretende lançar outras cores, ao menos, por enquanto. Já a 650R está disponível nas cores preta e no verde tradicionalmente conhecido desde o lançamento das "ninjonas".

Suas carenagens trazem aquele ar esportivo, como também garantem proteção aerodinâmica ao piloto. Neste ponto, ambas cumprem bem o propósito: desviam o vento, oferecendo conforto no uso rodoviário. Já no uso urbano, as carenagens integrais não atrapalham a pilotagem. O único probleminha está nas saídas de ar da  Ninja 650R, que desviam o ar quente proveniente do motor diretamente para as pernas do piloto, o que pode incomodar em dias mais quentes.
Os painéis de instrumentos de ambas ficam embutidos na carenagem e são completos: conta-giros, velocímetros e luzes de advertência, além de relógio e hodômetro formam o conjunto. A Ninja conta ainda com uma única tela de cristal líquido totalmente digital, bastante atraente, enquanto a Yamaha usa conta-giros de leitura analógica, o que facilita a visualização.


Concluindo... 
Com propostas parecidas e especificações idem, tanto uma quanto a outra são boas opções de compra no segmento de motos 600 cc carenadas. Cumprem seus propósitos, oferecem desempenho satisfatório e são bastante versáteis, podendo ser usadas tanto no dia-a-dia como em viagens.
A diferença fundamental está mesmo na motorização. Muitos são aqueles que dão preferência aos quatro cilindros em linha da XJ6F, enquanto outros tantos já prefirem o desempenho do bicilíndrico da Ninja 650R. De qualquer forma, a escolha é difícil, até mesmo em relação ao quesito 'preço'. A Yamaha ainda está comercializando a XJ6F modelo 2010, sem ABS, por R$ 30.000 - é bom frisar que, para 2011, não haverá mudanças significativas. Já a Ninja 650R 2011 sai por R$ 27.770 sem ABS, e R$ 29.990 com o sistema. Esses valores não incluem o frete, que varia por região.
Se você quer comprar uma motocicleta para rodar mais na estrada, no caso destas duas, opte pela Yamaha XJ6F e seu motor de quatro em linha. Se o uso for muito mais urbano, fique com a Kawasaki Ninja 650R e seu bicilídrico paralelo.

FICHA TÉCNICA

Kawasaki Ninja 650R (ABS)   Yamaha XJ6F
Dois cilindros paralelos, 649 cm³, quatro válvulas por cilindro, DOHC e refrigeração a ar. Motor Quatro cilindros em linha, 600 cm³, DOHC, 16 válvulas, quatro tempos, arrefecimento líquido.  
72,1 cv a 8.500 rpm. Potência máxima 77,5 cv a 10.000 rpm.
6,7 kgfm a 7.000 rpm. Torque Máximo 6,1 kgfm a 8,500 rpm.
83,0 x 60,0 mm. Diâmetro
e curso
65,5 x 44,5 mm.
11,3:1. Taxa de compressão 12,2:1.
Injeção eletrônica; partida elétrica. Alimentação Injeção eletrônica; partida elétrica.
Seis marchas, com transmissão final por corrente. Câmbio Seis marchas, com transmissão final por corrente.
Tipo diamante em tubos de aço. Quadro Tipo diamante em tubos de aço.
Dianteira por garfo telescópico convencional com 41 mm de diâmetro e 120 mm de curso; traseira por balança monoamortecida regulável na précarga com 125 mm de curso. Suspensão Dianteira por garfo telescópico convencional, com 130 mm de curso; traseira por balança monoamortecida com 130 mm de curso.
Disco duplo de 300 mm de diâmetro em forma de pétala com pinça de dois pistões na dianteira; disco simples de 220 mm de diâmetro com pinça de um pistão na traseira. Freios Disco duplo de 298 mm de diâmetro com pinça de dois pistões na dianteira; disco de 245 mm de diâmetro com pinça simples na traseira.
120/70-ZR17 (dianteira)/ 160/60-ZR17 (traseira). Pneus e rodas 120/70 ZR17 (dianteira)/ 160/60 ZR17 (traseira).
2.100 mm (C) x 760 mm (L)x 1.200 mm (A); 1.410 mm (entre-eixos); 145 mm (altura do solo); 790 mm (altura do assento). Dimensões 2.120 mm (C) x 770 mm (L) x 1.185 mm (A); 1.440 mm (entre-eixos); 140 mm (distância do solo); 785 mm (altura do assento).
208 kg. Peso 215 kg.
15,5 litros. Tanque 17,3 litros.

3 comentários:

Emerson Antunes disse...

Caro Mozart, obrigado por visitar meu blog, estarei seguindo o seu e fique a vontade para seguir o meu tb, rs !!! Um abraço

Mozart Forasteiro disse...

Obrigado Emerson. To lá, te seguindo também. :) Vou passar a visitar com frequência, ok? Abraço e boa sorte.

Anônimo disse...

A maior que já pilotei foi, uma Draqg Star, 2004 650cc.Foi minha penúltima moto. Excelente.Querendo um pouco mais, comprei uma XJ6F,de olho na Ninja.Confesso que a arquitetura do motor 4 cilindros venceu a parada.E não me arrependi. Nada se compara à doçura da entrega de potência e a progresividade "educada" daquele motor. Não é mesmo apropriado para gente acostumada a R1,CBX ou Hayabusas.Mas para um cara de 60 aninhos, velho de estradas e, que ainda suporta umas emoções relativamente fortes, È A MOTO.