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domingo, 31 de outubro de 2021

ROUBO DE MOTOS: PORQUE A CG 160 TITAN ESTÁ NO TOPO DA LISTA

 Roubo de motos é um dos maiores problemas que enfrentamos hoje no Brasil. Pra piorar, às vezes são seguidos de violência e morte. Mas, por que a Honda CG Titan 160 encabeça a lista?

Antes de termos essa resposta, vamos aos dados e aos fatos.

De acordo com a Fenabrave, a CG Titan 160 é o modelo mais vendido do país, seguindo o número de emplacamentos, desde que ela foi lançada. Na verdade, a CG 160 continuou seguindo os passos de suas irmãs mais velhas, a CG 150 e a 125.

CG Titan 160, a campeã de roubos no Brasil

Com razão, já que essas motocicletas, além de populares, são as maiores guerreiras quando se fala em "ferramenta de trabalho". Sua presença nas ruas aumentou mais ainda com a pandemia do Covid-19, desde o ano passado (2020).

Em conversa informal com Alan Davi dos Santos, gerente de uma loja de motos na capital de Goiás, ele informou que a procura por tal cilindrada "aumentou bastante com a informalidade de trabalhos, como é o caso dos entregadores por aplicativos". De fato, mas essa informalidade nos empregos vem antes mesmo da Covid-19, dado ao número crescente de desemprego que o país vem enfrentando há alguns anos seguidos.

Aí, vem a máxima: quanto maior a quantidade de alguma coisa, maiores as chances de algo ocorrer com ela.

Sendo assim, a procura por peças e acessórios para estas motocicletas também tem aumentado, e é aí que mora o problema. Peças originais são originais, não se discute, porém, e isso não é uma desculpa, os preços de peças de motocicletas são normalmente baseados no dólar, e não são tão baratos para grande parte dos proprietários. Entrar numa concessionária para comprar uma peça original não é para qualquer um. Então, esses procuram por alternativas mais em conta.

Essa imagem, capturada pela própria vítima, ocorreu em São Paulo, contudo, 
neste caso, a vítima teve sorte, pois um policial a paisana que estava próximo 
acabou acertando o ladrão. Mas, a polícia nem sempre está por perto.

Entre essas alternativas, estão desde lojas de peças a sucatões. As lojas e oficinais mais sérias, como precisam prestar contas à Secretaria da Fazenda, preferem lidar com peças não originais e, quando não há outro jeito, acabam por comprar a peça de algum distribuidor autorizado e, às vezes, até mesmo da própria concessionária, sob o conhecimento do proprietário. Se ele concordar, tudo bem. Se não, infelizmente, ele irá recorrer a outros locais para comprar tal peça.

Sem generalizar, há locais, digamos, "suspeitos", onde o proprietário da moto irá encontrar a peça desejada, e ainda nova ou em ótimo estado de uso, pela metade do preço ou ainda mais barata.

O pior é que o proprietário tem até ciência de onde está comprando essa peça, mas, "não tem outro jeito, né?". Então, sem mesmo pedir nota fiscal ou querer saber da procedência daquela peça, a compra sem pensar duas vezes.


Quando não encontra a peça num local físico, é comum também recorrer ao e-commerce, como é o caso de sites como Mercado Livre e até mesmo da China, como o Wish ou o Aliexpress, entre outros, a fim de comprar mais barato. Sobre isso, não há como culpar tais sites, que nem sempre têm o controle da origem do que vendem. São apenas plataformas de negócios feitos por diferentes empresas ou pessoas físicas.

Voltando ao roubo, em si, fica fácil saber o porquê da CG Titan 160 ser a maior vítima - na verdade, a vítima é seu proprietário - desse tipo de ocorrência. Os ladrões geralmente fazem parte de um grande esquema, que envolve não só eles, como também revendedores de peças para motos. Como a moto roubada é literalmente desmontada, suas partes acabam sendo espalhadas por diversos locais (em sua cidade, mesmo) onde elas são vendidas sem notas e em completa informalidade.


Motociclistas entregadores por aplicativos se tornaram as maiores vítimas
dos ladrões, especialmente, com o aumento dos pedidos com a pandemia.

Assim, o comprador acaba, de certa forma, alimentando um comércio que não é o que desejamos, afinal, a qualquer instante também podemos ser vítimas desse tipo de crime. Numa situação hipotética, o mesmo motociclista que acabou de comprar uma peça nessas condições - ou seja, não dando a mínima para sua origem, mas sim para o preço ínfimo que pagou - pode ser a vítima de amanhã.

É onde nós, proprietários de motocicletas, devemos também ser um pouco fiscais. Havendo qualquer suspeita de que determinada revenda está vendendo uma peça de origem duvidosa, entrar em contato imediatamente com as autoridades. A questão é ter consciência do que fazemos, para no fim não sermos as próximas vítimas. 

A CG Titan 160 foi usada como modelo nesta postagem por ser a mais vendida, porém, não é só com ela que devemos nos preocupar, mas sim, com qualquer modelo de motocicleta. Afinal, é "muito fácil" alguém chegar até você e lhe tomar um dos bens mais preciosos que você possui, materialmente, quando não ocorre o pior.

Seja e esteja consciente. Antes de comprar uma peça para sua moto, procure saber da procedência desta peça. Ajude seu colega motociclista e se ajude também, meu amigo. O Brasil já é mal visto lá fora e não é para menos. Vamos mudar isso. Sejamos nós o início da mudança que queremos para este país.

Motoabraço!

sábado, 7 de julho de 2018

MOTOR TEM TEMPO DE VIDA ÚTIL: MITO OU VERDADE?

E aí, galera motociclista? Vamos para mais um artigo importantíssimo sobre os cuidados a se ter com a moto.
Fig. 1. Partes de um motor de moto.

Vida útil

Motor tem vida útil? Pra começar, tudo o que vemos e tocamos, de certa forma, tem vida útil. Um dia, até mesmo uma rocha, vai se tornar pó. E isso não é diferente com motores, especialmente, por serem feitos de materiais desgastantes, como os metais e outros componentes utilizados em sua estrutura.
Desde o momento em que o veículo - qualquer um - é retirado da fábrica, ele passa a sofrer mínimos, mas reais desgastes. Todas as peças em atrito com qualquer outra, ou com o ambiente, passam a sofrer ínfimos danos, que sejam, mas que com o tempo tendem a aumentar, tanto em frequência, como em força e/ou o desgaste em si.
Fig. 2. Desgaste - pequeno e natural - de uma bronzina.

Sendo assim, partes como a culatra - ou "tampa de cilindro", como é também conhecida -, os cilindros, os pistões, a biela, o virabrequim, velas e válvulas, enfim, todos os componentes que trabalham em conjunto para o motor funcionar, vão aos poucos sofrendo tais danos e, se não houver a manutenção devida, a tendência é que, uma hora, o motor pare de vez.

O que danifica mais a moto?

Não é preciso ser especialista pra saber que, o que mais prejudica a motocicleta, em geral, além da falta de manutenção, são fatores extras, que nem sempre dependem da vontade do dono:
- Asfalto/estradas ruins: são os maiores responsáveis por danos na suspensão, afrouxamento de parafusos, empeno de peças de ferro, desgastes das partes de borracha, entre outros. O chacoalhar que terrenos acidentados provoca é muito negativo para todas as partes do motor. São também responsáveis por quedas, que podem trazer prejuízos materiais e pessoais irrecuperáveis;
Fig. 3. Asfaltos ruins são responsáveis por quebras e quedas.

- Combustível de baixa qualidade: todo combustível suspeito deve ser evitado. Se já é muito ruim termos que abastecer nossas motos - a gasolina - com 27% de álcool, imagina se esse combustível estiver "batizado". O acúmulo de sujeira, conforme o período no qual se abasteceu com aquele combustível ruim, vai sendo gerado no fundo do tanque e repassado para o sistema de alimentação, o que gera fraca combustão e falha no motor. Isso, sem contar as micropartículas que vão sendo depositadas em outras partes da engenhoca, ocasionando ranhuras e posterior necessidade de retífica.
- Troca de marchas forçada: galera, o motor não foi feito para esticar ou antecipar a marcha em demasia. O ato de se trocar marchas está relacionado à capacidade de compressão do motor, o que quer dizer que, sob muita ou pouca pressão, ele não trabalha de forma ordenada, como deve ser. Isso pode diminuir a capacidade motriz, com o tempo.
Fig. 4. Engrenagem de um câmbio de 6 marchas.

Fig. 5. Use o óleo com as especificações certas da sua moto.
- Óleo baixo ou falta de óleo: meus amigos!!!! Eis aqui um item de extrema importância na vida útil do motor de sua moto! Rodar com óleo "do meio pra baixo" é quase a mesma coisa que estar sem óleo no cárter. Quando o óleo é jogado para cima, a quantidade exata é enviada para que as peças sejam lubrificadas. E esse óleo é jogado pela pressão causada dentro do motor. Então, se há pouco óleo, irá subir uma quantidade insuficiente para a lubrificação exata, o que estará sendo terrível para o motor: ele esquentará com mais facilidade, haverá maior desgaste e passará a queimar o óleo, ao
invés de aproveitar o pouco que tem. Deixar o óleo chegar ao nível mínimo, ou faltar, é melhor empurrar a moto desligada até uma loja apropriada e completar o cárter. Outro fator importante: use sempre e somente o óleo com especificações elegidas para sua moto. Na dúvida, consulte o manual da mesma, ou pesquise no Google, ok?
- Peças paralelas: muito cuidado! Concordo que uma peça original, geralmente, adquirida em concessionárias, pode custar os olhos da cara, às vezes. Mas, por um lado, acaba sendo o caro que sai barato, pois o contrário estamos fartos de conhecer, não é mesmo? Pois é, peça paralela "tem que ter origem", me desculpem o trocadilho. Há casos em que uma peça paralela tenha sido produto de assalto e com final ruim para o dono da moto. Mas, há também empresas especializadas em fabricar peças similares, o que é estritamente legal. Temos que, contudo, manter os olhos abertos para os "especializados em copiar a cópia", que geralmente empregam material de terceira categoria e, conforme a peça, pode comprometer a segurança de quem está na moto. É aquele negócio: barato demais, desconfie.

Dicas para aumentar a vida útil do motor

Eis algumas dicas para lhe orientar e aumentar a vida útil do motor de sua moto:
1. Evitar abusos: a não ser que você seja integrante de um grupo de "motoshow man", ou participe de competições radicais, e que sua moto seja especialmente preparada para tal, procure não abusar da moto - andando em uma roda a cada semáforo que parar; fazendo zerinhos; acelerar bruscamente e com frequência; fazer trilhas com motos sem estrutura para o tipo de terreno; saltar rampas ou morretes... -, pois cada uma tem estrutura e engenharia apropriada para aquela situação ou terreno.
2. De olho no óleo: o óleo, como disse anteriormente, é um componente que não pode faltar ou estar sempre baixo. E, saiba, completar o óleo nem sempre é a solução. O correto é trocar todo o líquido regularmente - de acordo com o que diz no manual da motocicleta -, assim como, pelo menos, alternando uma vez a cada troca, o filtro específico. Ponha na sua cabeça: o motor pode funcionar apenas com o cheiro do combustível, mas sem óleo, ele vai fundir rapidinho.
3. Check-up geral: quando voltar de uma viagem, faça o possível para levar a "moça" ao médico. Nem que seja somente para um check-up. Viagens longas, especialmente, podem trazer alguns parafusos soltos, algum cabo pronto para arrebentar etc. Na parte elétrica, podem haver fios com mau contato, o que também prejudicam o funcionamento da moto.
4. Gaste mais, mas rode melhor: cuidado, mais uma vez, com peças baratas e mecânicos quebra-galhos, que vão lhe cobrar "só um cafezinho". Se vai fazer uma manutenção em sua moto, incluindo mecânica e elétrica, faça com quem entenda e tenha tempo de mercado, seja reconhecido. Mesmo assim, vá atrás de referências (por experiência própria, uma Shadow que tive ficou mais de 30 dias com um mecânico e, mesmo assim, tive problemas em uma viagem que fiz, logo que tirei ela da oficina. Detalhe: eu a havia deixado lá justamente para corrigir o problema que tive, durante a viagem). Portanto, trate-a como sua melhor companhia e não pense duas vezes em levá-la para um lugar confiável.

No mais, seja sempre prudente e precavido(a). Não é nada bom ficar a pé. :) Motoabraços!

Saiba mais em:
- Antes de pegar a estrada
- Dicas de pilotagem

Quem leva a melhor? Bajaj DOMINAR 400 ou Kawasaki NINJA 400? Comparativo.

Salve, Motors!  Mais uma vez, o Louco por Motos traz um comparativo que, para muita gente, é bom saber antes de investir - mais, ou menos ...