terça-feira, 29 de março de 2016

COMPARATIVO: CB 300R x CBX TWISTER 250 x CB TWISTER 250

E aí, galera motociclista? Tudo nos conformes?

Eu sempre me perguntei por que o brasileiro não curtia muito a CB 300, da Honda. Aliás, os respectivos donos não falavam - e não falam - mal dela, lógico, mas também não dá pra negar que ela não fez tanto sucesso, assim. Tanto que a Honda abriu os olhos para um dos seus maiores mercados, que é o Brasil, e tratou logo de substituí-la. Mas, e essa substituição? Será que valerá a pena?
Honda CB 300R: emplacou muitas, mas não agradou a muitos.


CB 300R: a não aceitação

Em outra postagem (http://goo.gl/ZKtxQC) deste blog, citei dois motivos que podem ter sido a causa da saída da CB 300R, e um deles, foi devido à não adaptação do motor à segunda fase do PROMOT/2016. O Promot é um programa mundial de redução de emissões de poluentes aplicado sobre motocicletas e motores semelhantes. Mas, isso, sabemos que pode ser pura balela. Sim, porque, na verdade, a aceitação da moto foi pequena, em comparação com suas concorrentes, que continuaram a ser vendidas normalmente - até ganhando mais espaço, como foi o caso da Fazer 250, da Yamaha. O fato é que, conforme os proprietários, é uma moto que dá problema facilmente, como rachaduras no cabeçote, trincados no chassi ou pane elétrica, além de ser "gastadeira", o que faz da marca - ainda muito querida no Brasil - ser avaliada com mais cuidado em seus próximos lançamentos.

A Velha Nova Substituta

Bom, para que a moral da Honda não caísse no desgosto brasuka, os japas enviaram-nos, novamente, uma velha conhecida, agora, de cara nova, com 50 cc a menos, mas com a promessa de trazer o velho gosto de pilotar uma moto de baixa cilindrada, sem medo de dar problemas: a CB Twister 250.
A nova CB Twister 250 quer ganhar o mercado que havia conquistado, antes.
Se bem que, desta vez, uma das poucas coincidências com a velha Twister está no nome. De resto, quase tudo foi modificado e adaptado para os padrões atuais.



Motores

Não querendo desanimar, mas quase fazendo isso, o motor da nova Twister é um pouco menos potente do que a de 2008. Esta produz 24 cv @8000 RPM, enquanto que a atual gera algo com 22,6 CV @7500 RPM, na versão a álcool. Vale lembrar que essa potência desce 0,2 cv quanto o combustível é gasolina. O torque da nova versão também é um pouco menor, sendo de 2,24 e 2,28 kgf.m @6000 RPM para gasolina e álcool, respectivamente; a anterior 2,48 kgf.m @6000 RPM. 
A velha Twister: algumas readaptações para
conquistar o mercado das médias.
Para baratear custos, a Honda ainda fez mais (por menos): na nova Twister, a refrigeração é somente a ar, enquanto que na anterior era "a ar com radiador de óleo". 
A CB 300R produz 26,5 cv @7500 RPM, com torque máximo de 2,8 kgf.m @6000 RPM. Claro, um pouco mais forte, mas seu câmbio de 5 marchas acaba por limitar essa potência - e, talvez, seja um fator predominante na "rachadura" que ocorre no cabeçote, já que, em alta, o motor trabalha levando uma surra, sem folga. O sistema de resfriamento da CB 300 é também é a ar, com radiador de óleo, o mesmo usado nas versões anteriores da Twister.

No peso seco, a nova CB Twister é a mais "manequim" das três: apenas 135 kg (ou 137 kg, na versão com ABS). A Twister anterior pesa em torno de 139,7 kg e, a CB 300R, 147 kg. Esses números trazem alguma vantagem à nova Twister, já que ela compensa no consumo e na velocidade. 
Nova CB Twister tem mercado acirrado a conquistar.

A taxa de compressão da nova Twister é de 9,6:1 - isso quer dizer que o volume interno do cilindro é 9,6 vezes maior que o volume da câmara de combustão. Na CB 300, a razão é de 9:1 e, na CBX 250 Twister, 9,3:1. Quanto maior essa razão, mais rapidamente a energia gerada é eliminada, gerando, assim, maior potência. 


Dimensões

A tabela a seguir mostra os comparativos das dimensões destas três motos:




Preço

O preço de venda sugerido para a nova Twister 2016 é de R$ 13.050,00 (s/ ABS) e R$ R$ 14.550,00 (c/ ABS), mas sem contar frete e seguro. Tais valores comparam-se aos da CB 300, em sua época, mas é devido, vocês sabem, né: Brasil, taxas de juros altíssimos, real desvalorizado e o cidadão também... é uma lástima, tudo isso. O de cima sobe e o de baixo desce... Aliás, foi devido a (ter que praticar) esses valores por aqui, é que a Honda desistiu, por enquanto, de trazer a versão "F" da nova Twister - aqui, ficaria por volta dos 15 mil, tranquilamente. E não estão falando nessa possibilidade. 



Até que o painel ficou showzinho, não?

Conclusão

Enfim, não é difícil entender porque a 300 saiu de linha, já que o motociclista brasileiro, depois de tanto aprender na mão, é um dos mais exigentes do planeta. Somos chatos, mesmo, e dai? Queremos coisas boas, não é mesmo? Por outro lado, o que é difícil de aceitar é um fabricante de papel higiênico diminuir o tamanho do rolo e fazer você pagar
quase o mesmo preço do rolo maior... Trocando isso, não seria melhor a Honda ter trabalhado o motor e o visual da CB 300R, tornando-a mais adequada para nossos padrões, do que simplesmente ressuscitar uma moto fora-de-linha faltando-lhe alguns pedaços? Pessoalmente, acho que isso não passa de jogada de marketing, de mercado, mesmo, a fim de angariar dinheiro com mais rapidez. Não pense que é para agradar você, motociclista, porque não é. Nessa, digo com veemência que a Honda deu outro passo... para trás. Daqui a pouco, a Yamaha vai abraçar o mercado das 300 e 400, matando de vez o mercado da sua prima nipônica. Vamos ver o que o tempo ainda nos dirá a respeito dessa substituição.


Motoabraço!!!